Curious Mundi
Tecnologia do dia a dia

Por que temos que usar o modo avião no voo? O que dizem as regras

O modo avião desliga os transmissores do celular para evitar interferência nos sistemas do avião e nas antenas em terra. As regras mudaram, e hoje cada companhia decide o que liberar.

Redação Curious Mundi · 4 de novembro de 2026

Ilustração de uma janela de avião com céu azul e nuvens, ao lado de um celular com um ícone de avião na tela.

O modo avião desliga os transmissores de rádio do celular por dois motivos: reduzir um risco de interferência nos sistemas de navegação e comunicação do avião, considerado pequeno mas difícil de descartar, e evitar que aparelhos no ar atrapalhem as antenas da rede celular em terra. A regra exata depende do país e da companhia aérea.

O que o modo avião desliga, exatamente?

Numa instrução suplementar publicada em 2014, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) define o modo avião como o estado em que o aparelho deixa de emitir sinais de rádio de propósito: ligações, dados, Wi-Fi e Bluetooth. O celular continua ligado. Dá para ler, ouvir música baixada, jogar ou rever fotos; só a comunicação sem fio fica em silêncio.

Em muitos aparelhos, o usuário consegue reativar o Wi-Fi ou o Bluetooth depois de ligar o modo avião. É por isso que as companhias que oferecem internet a bordo avisam em que momento a conexão pode ser ligada. Quem define esse momento é a empresa, não o passageiro.

Um celular pode mesmo atrapalhar os instrumentos do avião?

A preocupação tem nome: interferência eletromagnética. O sinal de um aparelho pode ser captado pelas antenas do avião ou chegar aos sistemas pela fiação. A ANAC descreve esses dois caminhos e pede que as tripulações registrem qualquer suspeita de interferência, anotando o horário, o efeito observado, a fase do voo, a posição do aparelho na cabine e o modelo. A FAA, agência de aviação dos Estados Unidos, também orienta as companhias a ter um procedimento para relatar esses casos.

O risco não é tratado como alto, e sim como difícil de medir. Segundo a FAA, a regra americana existe por causa do potencial de os aparelhos portáteis interferirem na navegação e na comunicação. A própria agência reconhece que o número e a variedade de aparelhos tornam impraticável testar um por um; por isso, os métodos aceitos avaliam se o avião, como um todo, tolera essas emissões. Sem essa demonstração, a saída mais simples é pedir que os transmissores fiquem desligados.

Interferência entre aparelhos que usam ondas de rádio não é exclusividade da aviação. Dentro de casa, o mesmo tipo de conflito explica por que o micro-ondas atrapalha o Wi-Fi.

E o que a rede de celular em terra tem a ver com isso?

Esse é o motivo menos conhecido. Nos Estados Unidos, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) proíbe usar o celular na rede celular enquanto o avião está no ar, a não ser que a aeronave tenha equipamentos próprios para controlar os aparelhos a bordo. A FAA explica que a restrição serve para eliminar a interferência entre as estações celulares em terra e os aparelhos no ar, e apoia a regra no espaço aéreo americano. No solo, com o avião parado ou taxiando, a agência permite o uso do celular.

O que mudou nos últimos anos?

Na Europa, a mudança começou em dezembro de 2013, quando a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) passou a permitir aparelhos eletrônicos portáteis em quase todas as fases do voo, desde que em modo avião, sem transmitir. Depois, a EASA foi além: as companhias europeias podem deixar os aparelhos ligados e conectados, sem modo avião, durante todo o voo, mas só depois de uma avaliação que confirme que os sistemas daquele avião não são afetados. A agência também permite liberar o celular logo após o pouso.

Também existe celular a bordo de verdade. Desde 2008, a União Europeia reserva frequências para comunicação móvel em aviões, e em novembro de 2022 a Comissão Europeia incluiu nelas o 5G. Nesse sistema, uma pequena estação-base instalada na cabine, a picocélula, conversa com os celulares dos passageiros, e o tráfego segue em geral por satélite até a rede em terra. Os aparelhos não precisam alcançar as antenas lá embaixo. Para entender o que essa geração traz de novo, veja o que é o 5G e o que muda em relação ao 4G.

No Brasil, a instrução de 2014 da ANAC deixou a decisão com as companhias aéreas: cada uma define quais aparelhos podem ser usados em cada fase do voo e precisa mostrar que eles não interferem na comunicação e na navegação. Quanto mais testes de imunidade o avião tiver, mais amplo pode ser o uso. O texto também lembra que as regras de telecomunicações precisam ser consideradas antes de liberar aparelhos que transmitem, um campo que no país cabe à Anatel.

Então o que ainda vale hoje?

  • A palavra final é da tripulação: a companhia aérea decide o que pode ser usado e em que fase do voo.
  • Em voos nos Estados Unidos, o celular não pode se conectar à rede celular no ar; em solo, o uso é permitido.
  • Wi-Fi e Bluetooth a bordo dependem de autorização da empresa, que precisa ter avaliado a tolerância do avião.
  • Na União Europeia, aviões com picocélula podem oferecer ligações, mensagens e dados pela rede de bordo.

O modo avião deixou de ser uma proibição absoluta e virou o ponto de partida: o padrão vale até que a companhia demonstre, avião por avião, que pode oferecer mais. Quando o comissário pedir, a resposta continua simples. Ative o modo avião e, se a empresa permitir, ligue depois só o Wi-Fi de bordo.

Fontes

Leia também