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A guerra mais curta da história: Reino Unido contra Zanzibar em 1896

Em 27 de agosto de 1896, a Marinha britânica bombardeou o palácio do sultão de Zanzibar e encerrou o conflito em menos de uma hora. Veja por que a guerra começou, quanto durou de fato e o que mudou depois.

Redação Curious Mundi · 3 de novembro de 2026

Ilustração de um navio a vapor soltando fumaça no mar, um palácio árabe ao fundo e um relógio de bolso dourado na frente.

Algumas guerras duram décadas. A Guerra Anglo-Zanzibari durou menos que um episódio de série. Na manhã de 27 de agosto de 1896, navios da Marinha Real britânica abriram fogo contra o palácio do sultão de Zanzibar e, menos de uma hora depois, a bandeira do palácio havia caído e o conflito estava encerrado. É considerada a guerra mais curta já registrada, mas o número exato de minutos depende de quem conta e de quando se começa a contar.

O contexto: um sultanato sob proteção britânica

Zanzibar, arquipélago na costa leste da África, era no século 19 um importante centro comercial governado por sultões de origem omanita. Em 1890, o Reino Unido e a Alemanha dividiram suas áreas de influência na região pelo Tratado de Heligolândia-Zanzibar, e no mesmo ano Zanzibar tornou-se protetorado britânico. Pelo acordo, um novo sultão só podia assumir o trono com a aprovação do cônsul britânico.

O estopim: a morte do sultão

Em 25 de agosto de 1896, o sultão Hamad bin Thuwaini, aliado dos britânicos, morreu de forma repentina. Poucas horas depois, seu sobrinho Khalid bin Barghash ocupou o palácio e se declarou sultão, sem a autorização exigida. Os britânicos preferiam outro candidato, Hamoud bin Muhammed, mais favorável aos seus interesses.

O cônsul britânico Basil Cave e o contra-almirante Harry Rawson exigiram que Khalid deixasse o cargo. Ele se recusou e reuniu no palácio uma força de cerca de 3.000 homens, entre guardas, servos e escravizados, além de algumas peças de artilharia e do iate armado Glasgow. Rawson reuniu cinco navios de guerra no porto e deu um ultimato: Khalid tinha até as 9h de 27 de agosto para baixar a bandeira e sair do palácio.

Minuto a minuto: a manhã de 27 de agosto

Horário (local)Acontecimento
9h00Termina o prazo do ultimato sem rendição
9h02Os navios britânicos abrem fogo contra o palácio
Poucos minutos depoisO iate Glasgow responde ao fogo e é afundado; sua tripulação é resgatada
Por volta de 9h40A bandeira do palácio é derrubada e o fogo cessa
À tardeHamoud bin Muhammed é proclamado sultão

Do lado de Zanzibar, cerca de 500 pessoas foram mortas ou feridas, a maioria pelo incêndio que atingiu o palácio. Do lado britânico, houve um único ferido grave, um suboficial a bordo de um dos navios.

Afinal, quanto durou: 38, 40 ou 45 minutos?

As fontes não concordam, e a diferença está no relógio usado como referência. Quem conta a partir do primeiro disparo, às 9h02, até o cessar-fogo, por volta de 9h40, chega a 38 minutos, número que se tornou o mais famoso. Quem conta a partir do fim do ultimato, às 9h, chega a 40 minutos. Outras fontes, incluindo a Encyclopaedia Britannica, falam em não mais que 45 minutos. Em qualquer versão, a guerra durou menos de uma hora.

O que aconteceu depois

  • Khalid fugiu durante o bombardeio e se refugiou no consulado alemão com cerca de 40 seguidores; a Alemanha recusou a extradição e o levou para a África Oriental Alemã.
  • Os britânicos o capturaram em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial; ele morreu em Mombaça, no Quênia, em 1927.
  • Os britânicos exigiram dos apoiadores de Khalid 300 mil rúpias para cobrir os custos do bombardeio e dos saques.
  • Hamoud bin Muhammed governou com poderes reduzidos, e a influência britânica sobre Zanzibar se aprofundou.

A Guerra Anglo-Zanzibari costuma ser lembrada como uma curiosidade, mas ela resume bem a lógica do imperialismo do fim do século 19: uma potência com enorme superioridade militar decidindo quem governava um território que formalmente ainda tinha seu próprio soberano. Os 38 minutos que viraram recorde custaram centenas de vidas e mostram que, mesmo na guerra mais curta da história, o desequilíbrio de forças tinha consequências muito reais.

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