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Por que os flamingos são cor-de-rosa? A resposta está no prato

Flamingos não nascem rosados: a cor vem de pigmentos chamados carotenoides, presentes nas algas e nos pequenos crustáceos que eles comem. Sem essa dieta, as penas desbotam.

Redação Curious Mundi · 3 de novembro de 2026

Ilustração de dois flamingos rosa numa lagoa rasa, um com o bico na água, um filhote cinza e pequenos camarões rosados.

Um flamingo não nasce cor-de-rosa. Os filhotes saem do ovo cobertos por uma penugem cinza e só ganham a cor famosa com o tempo, à medida que se alimentam. Em outras palavras, o flamingo fica rosa por causa do que come. O responsável é um grupo de pigmentos naturais chamados carotenoides.

Carotenoides: os pigmentos da cor

Carotenoides são pigmentos vermelhos, laranja e amarelos produzidos por plantas, algas e alguns microrganismos. São os mesmos que dão cor à cenoura e ao tomate, por exemplo. Animais não fabricam carotenoides por conta própria: precisam obtê-los da alimentação. No caso dos flamingos, esses pigmentos são processados pelo organismo, com participação do fígado, e depositados nas penas, na pele e no bico.

O que os flamingos comem

Flamingos vivem em lagoas rasas, muitas vezes salgadas ou alcalinas, e se alimentam filtrando água e lama com o bico de cabeça para baixo. Placas finas no bico, chamadas lamelas, retêm o alimento enquanto a água é expulsa pelos lados. O cardápio inclui:

  • Algas microscópicas, ricas em carotenoides.
  • Pequenos crustáceos, como a artêmia, que também acumulam carotenoides ao comer algas.
  • Larvas de insetos e pequenos moluscos.
  • Sementes e outras partículas vegetais.

As espécies também se especializam. Segundo o Zoológico de San Diego, o flamingo-pequeno, o flamingo-andino e o flamingo-de-james têm bicos mais adequados para filtrar partículas finas, como algas, enquanto o flamingo-grande e o flamingo-chileno se alimentam sobretudo de invertebrados do fundo lamacento.

Por que alguns são mais rosados que outros

Existem seis espécies de flamingos, e a intensidade da cor varia bastante. O flamingo-do-caribe, também chamado flamingo-americano, é o de tons mais fortes, com vermelho, rosa e laranja. Dentro de uma mesma espécie, a cor depende da região e da quantidade de carotenoides disponível na comida: há indivíduos rosa-claro, quase brancos, e outros de tom intenso.

A cor também conta uma história sobre a vida da ave. Os filhotes ficam cinzentos enquanto são alimentados pelos pais com o chamado leite de papo, um líquido nutritivo produzido no trato digestivo superior tanto do macho quanto da fêmea. A coloração adulta leva tempo: o Zoológico Nacional do Smithsonian fala em vários anos, e o Zoológico de Los Angeles, em cerca de dois. Durante a criação, os próprios pais podem perder cor e ficar rosa-pálido ou quase brancos, recuperando o tom quando o filhote passa a comer sozinho.

Uma maquiagem natural

Há ainda um truque curioso. Um estudo de pesquisadores da Estação Biológica de Doñana, na Espanha, publicado em 2010 na revista Behavioral Ecology and Sociobiology, observou que flamingos-grandes esfregam a cabeça na glândula uropigial, perto da cauda, e espalham a secreção nas penas do pescoço, do peito e das costas. Essa secreção contém carotenoides e intensifica a cor. Os autores registraram que a plumagem fica mais vistosa na época das exibições de corte e desbota no resto do ano, e propuseram que o comportamento serve para atrair parceiros.

E nos zoológicos?

Como a cor depende da dieta, flamingos em cativeiro desbotariam se comessem apenas ração comum. Por isso, zoológicos oferecem uma alimentação especial com pigmentos adicionados. O Zoológico de Los Angeles, por exemplo, informa que inclui cantaxantina, um carotenoide, na dieta das aves para manter a coloração.

No fim das contas, o rosa do flamingo é uma espécie de etiqueta nutricional ambulante: mostra que a ave está comendo bem e tem acesso aos pigmentos certos. A regra vale para as pessoas também, em menor escala. Comer muita cenoura pode deixar a pele levemente alaranjada, mas para nós os carotenoides nunca chegam a pintar a aparência inteira como fazem com os flamingos.

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