Do que são feitas as notas de dinheiro? Algodão, linho e plástico
As cédulas do real, do dólar e do euro não usam papel comum: são feitas de fibras de algodão, e o dólar leva também linho. A Austrália foi pioneira nas notas de polímero, um tipo de plástico.

A maioria das notas de dinheiro não é feita do papel comum, de celulose de madeira, mas de fibras de algodão. Real e euro usam papel de algodão, e o dólar americano mistura 75% de algodão e 25% de linho. Outros países usam polímero, um tipo de plástico, ideia em que a Austrália foi pioneira.
Por que não usar papel comum?
Uma folha de caderno se desmancha depois de algumas dobras, de um dia esquecida no bolso da calça ou de uma volta na máquina de lavar. Uma cédula passa por milhares de mãos, é dobrada, amassada e guardada em carteiras úmidas, e precisa continuar inteira e reconhecível por bastante tempo.
As fibras de algodão são longas e resistentes, e por isso o papel feito com elas aguenta muito mais desgaste. O Banco Central Europeu explica que o papel de fibra de algodão pura dá às notas de euro a sua firmeza característica e resistência ao uso. O Banco Central do Brasil, ao apresentar a segunda família do real, também destaca que esse papel tem uma textura mais firme e áspera que a do papel comum.
Há ainda uma razão de segurança. Um papel especial, que não se compra em papelaria, é mais difícil de imitar, e é durante a fabricação dele que entram alguns dos elementos que ajudam a reconhecer uma nota verdadeira.
Do que é feito o dólar americano?
O dólar é o exemplo mais conhecido de cédula que não é só de algodão. Segundo o programa oficial de educação sobre a moeda dos Estados Unidos, o papel das notas é uma mistura de 75% de algodão e 25% de linho, a fibra extraída do caule do linho, a mesma planta usada em tecidos.
Essa composição dá ao dólar um toque próprio, e o mesmo material oficial orienta as pessoas a sentir o papel como uma das formas de checar se a nota é genuína.
E as notas de real e de euro?
No Brasil, a cartilha do Banco Central sobre a segunda família do real afirma que as cédulas são impressas em papel fiduciário composto de fibras de algodão. É um papel feito sob encomenda para a fabricação de dinheiro, que não se encontra à venda no comércio.
Na zona do euro, segundo o Banco Central Europeu, as notas da série Europa são impressas em papel de fibra de algodão pura. O BCE informa que 11 gráficas de alta segurança espalhadas pela Europa produzem as cédulas.
A textura do papel aparece, inclusive, entre os itens que o Banco Central do Brasil manda observar numa nota. A cartilha agrupa a verificação em três ações, veja, sinta e descubra, e inclui no grupo do tato o alto-relevo e a própria textura do papel, ao lado de elementos como a marca-d'água e o fio de segurança.
No grupo descubra ficam os recursos que pedem um pouco mais de atenção: a faixa holográfica, o número que muda de cor, o número escondido, os elementos fluorescentes e as microimpressões. Vários deles dependem de tintas e de técnicas de impressão aplicadas sobre esse papel especial.
O que são as notas de plástico?
A outra grande família de cédulas é a de polímero, um tipo de plástico. Segundo o Reserve Bank of Australia, o banco central australiano, o país lançou em janeiro de 1988 uma nota comemorativa de 10 dólares em polímero para marcar o bicentenário da Austrália.
A tecnologia foi desenvolvida em conjunto pelo banco central e pela CSIRO, a agência científica nacional australiana. Entre 1992 e 1996, a Austrália trocou toda a sua série de cédulas por notas de polímero. O objetivo, de acordo com o banco, era tornar o dinheiro mais seguro contra falsificações, e as notas de polímero também são mais duráveis que as de papel.
Desde então, outros bancos centrais adotaram o material em parte ou em todas as suas cédulas. Muitos países, porém, continuam com o algodão, caso do Brasil e da zona do euro, e cada um pesa custo, durabilidade e segurança na hora de escolher.
O material muda a forma de conferir uma nota?
Muda bastante. Numa nota de algodão, a marca-d'água e o fio de segurança ficam dentro do papel e aparecem contra a luz; numa nota de polímero, os elementos de segurança são outros, adaptados ao plástico. Por isso, o primeiro passo é conhecer o material da moeda que se tem em mãos.
Os detalhes de cada cédula estão no artigo sobre como saber se uma nota é falsa. E, para lembrar que o papel-moeda é uma invenção recente diante da longa história das trocas, vale ler sobre como surgiu o dinheiro, das contas na Mesopotâmia às primeiras cédulas na China.


