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A Torre Eiffel fica mais alta no verão

O ferro da Torre Eiffel se dilata com o calor e se contrai com o frio, então a altura do monumento varia ao longo do ano. Entenda a dilatação térmica e quanto ela realmente pesa nessa conta.

Redação Curious Mundi · 3 de novembro de 2026

Ilustração de uma torre de ferro em treliça sob sol forte, com linhas de calor e uma régua de altura ao lado.

A Torre Eiffel não tem uma altura fixa. Feita de ferro, ela se expande um pouco nos dias quentes e se contrai nos dias frios, de modo que o topo do monumento sobe e desce ao longo do ano. O fenômeno tem nome, dilatação térmica, e está por trás de detalhes de engenharia que vemos todos os dias, das juntas em pontes às frestas entre trilhos de trem. O curioso é que a quantidade exata desse crescimento varia bastante conforme a fonte consultada, e entender o motivo ajuda a separar o dado real do exagero.

O que é dilatação térmica

Quando um material esquenta, seus átomos vibram com mais intensidade e passam a ocupar, em média, um pouco mais de espaço. O resultado é que o objeto aumenta de tamanho. Quando esfria, o movimento diminui e ele encolhe. Nos metais, esse efeito é pequeno, mas mensurável, e cresce proporcionalmente ao tamanho da peça e à variação de temperatura.

A medida que expressa essa tendência é o coeficiente de dilatação linear. Para o ferro pudlado usado na torre, um tipo de ferro forjado do século 19, o valor é de cerca de 12 milionésimos por grau Celsius. Parece pouco, mas a torre tem cerca de 300 metros de estrutura metálica, e é aí que a conta fica interessante.

Quanto a torre cresce, na teoria

Aplicando a fórmula simples da dilatação linear a uma barra de ferro de 300 metros, chegamos aos valores aproximados da tabela abaixo. Eles servem para dar uma ideia de escala, não como medição oficial.

Variação de temperatura do metalAumento teórico de altura
10 °Ccerca de 3,6 cm
20 °Ccerca de 7,2 cm
40 °Ccerca de 14,4 cm
60 °Ccerca de 21,6 cm

Em Paris, a diferença entre os dias mais frios do inverno e os mais quentes do verão pode passar de 40 °C no ar, e o metal exposto ao sol direto pode ficar bem mais quente que o ar ao redor. Por isso, estimativas citadas por engenheiros falam em algo entre 12 e 15 centímetros de diferença entre extremos, e alguns textos chegam a mencionar até 20 centímetros.

Por que os números variam tanto

O próprio site oficial da Torre Eiffel adota um tom bem mais modesto e fala em ganhar ou perder "alguns milímetros" com as estações. A diferença entre essas fontes tem explicações razoáveis:

  • A torre não é uma barra maciça: é uma treliça com mais de 18 mil peças, e cada parte aquece de forma diferente.
  • Um lado fica ao sol enquanto o outro está na sombra, então a estrutura nunca está toda na mesma temperatura.
  • As estimativas maiores consideram os extremos absolutos de temperatura, que raramente acontecem em sequência no mesmo ano.
  • Comparar a variação entre um único dia frio e um único dia quente é diferente de comparar médias de inverno e verão.

Na prática, o mais seguro é dizer que a altura da torre varia alguns centímetros entre o frio intenso e o calor forte, com estimativas que vão de poucos milímetros a cerca de 15 centímetros, dependendo do método e das condições consideradas.

A torre também se inclina para longe do Sol

Há um efeito menos conhecido e confirmado pelo site oficial do monumento. Em um dia ensolarado, a face voltada para o Sol se aquece e se dilata mais do que a face na sombra. Isso faz a torre se curvar levemente para o lado oposto ao Sol. Como o Sol se move no céu ao longo do dia, o topo descreve uma curva de aproximadamente 15 centímetros de diâmetro, um movimento imperceptível a olho nu e que não ameaça a estrutura.

Vale lembrar que a altura oficial também mudou por outro motivo: na inauguração, em 1889, a torre tinha 312 metros; com a instalação de antenas ao longo das décadas, a mais recente em 2022, chegou a 330 metros. Essa mudança é permanente, ao contrário da variação sazonal, que vai e volta todo ano.

A Torre Eiffel é um exemplo em grande escala de algo que acontece com qualquer metal. Ela não cresce metros nem corre risco por isso, mas respira com as estações, ganhando e perdendo alguns centímetros no máximo. E é justamente por prever esse comportamento que engenheiros deixam folgas em pontes, trilhos e estruturas metálicas de todo tipo.

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